Ando querendo aprender,
ando procurando saber
o que é mais bonito na vida.
E nesse busca tão longa,
descobri alguma coisa:
o sorriso das crianças,
o canto dos passarinhos,
o vento em forma de brisa,
movimentos de nuvens,
claridade do céu após a chuva,
murmúrio de águas que passam,
música ao longe,
saudade dos quinze anos,
beijos da mulher amada.
Descobri mais ainda:
A sinfonia de um amanhecer,
a tristeza da boquinha da noite,
o dia de Natal,
o primeiro velocípede,
primeira bicicleta,
primeira árvore que a gente planta,
viagem de férias para bem longe,
tradução sem dicionário,
o quadro na exposição.
Doce é ver enchente,
sentir neblina,
Chupar manga rosa,
comer pêssego maduro,
e... sonhar acordado.
A brisa que passa
e envolve teu rosto,
a brisa que voa
e sorri em teus cabelos
é brisa de muito amor.
Ajuda a iluminar tua beleza.
Mais do que tudo,
adoro o encanto da brisa,
porque faz parte da vida,
é muito da minha alegria.
A brisa que passa
e que te faz carinhos
me dá lindo sentimento de amor,
me dá contentamento
de participar da Natureza.
Porque a brisa te faz mais linda,
dela não tenho ciúmes.
Porque a brisa me traz perfume,
dela me aproximo,
Aproximando-me de ti.
Realidade do ser feliz
ajuda-me a viver
ajuda-me a te sentir, minha querida.
Meio-dia, limite,
alegria muita.
Na distância, um logo além;
no depois, um antes:
auroras, felicidade.
Tardes de intensa alegria,
noites-verão, dias-inverno,
Ingênuas manhãs,
ingênuas,
bem ingênuas,
mais que a madrugada
de sonhos nos sonhos,
deleite.
Simbiose, crepúsculos,
tons vermelhos,
rosa-amarelo, ouro no azul,
lilases e sombras,
douradas maravilhas...
prata.
Antes do depois, ainda,
fios de claridade,
fontes, conforto-luz,
pura alegria,
sorrisos,
bons dias bem vividos!
Um encanto existe,
estado d¿alma de doce enlevo,
um quê de alegria verdadeira,
algo que me diz do bom-viver,
visão de eterna busca:
pequenas coisas, simplicidade,
procura ansiosa e constante.
Sinto, entendo, sinto
que o grande presente da vida
é dádiva de multisséculos,
em gerações sem fim.
O ser feliz é estar amando
e ser amado,
de tempo em tempo,
ou em todo o tempo,
não só do agora.
Amar,
Amar muito,
Amar todas as horas,
amar sempre, sempre.
Amar a vida,
te amar, meu amor,
porque amar é viver.
Gostando de ti,
gosto do vida,
vivo de amar.
De tudo que acontece,
no meio dos sofrimentos,
num mundo de alegrias,
adoro teu existir,
adoro o teu sorriso.
O brilho da alegria
do verde dos teus olhos
tem sonorizado sonhos
e muitas esperanças,
da terra ao céu.
És doce cheiro,
perfume de muitas flores,
hálito de brisa e luz
ontem e hoje carinho.
Acima de tudo,
é de ti,
somente teu,
o meu viver,
o meu amar.
Está em todo canto, em toda parte,
no meio das cores, no meio dos sons,
pode estar nos montes, nas planícies,
em jardins, nas ruas, nas praças,
em escolas, nos escritórios,
nas lojas, em ante-salas.
Existe alegria no ritmo, no movimento,
Ao acender das luzes e até no pisca-piscar.
Sente-se alegria no balanço do mar
E no andar da moça bonita.
sente-se a alegria dos passarinhos,
em vôos e cantos,
e no vento que passa.
Na inocência das crianças sente-se alegria,
na malícia dos jovens sente-se alegria,
e na sabedoria dos velhos.
Alegria das plantas durante e depois da chuva,
alegria dos montes no despontar do sol,
alegria da mãe diante da graça do filho,
alegria divina diante da beleza do amor,
alegria de todos diante da própria alegria.
Adoro a tua beleza,
a luz da tua simpatia,
o amor gostoso que há nos teus olhos,
um brilho, uma bênção de felicidade
que tua alma não deixa esconder,
que te faz tão linda !
Como é bom amar a vida
do jeito que te vejo amar.
Bom seria que estivéssemos sempre juntos,
bem juntinhos para vermos sol e lua,
para sentir as estrelas todas
e contá-las no tempo e no infinito,
com infinita ternura.
Bom seria ter sempre e sempre
a sensação de tua presença,
do teu calor,
da tua pele morena,
da tua alegria,
do teu viver !
A poesia dos teus olhos
é a poesia mais linda
... e mais colorida.
Tem métrica, tem rima,
tem a sonoridade da música
mais suave da vida.
Teus olhos encantam
e vibram como início de sonho.
Teus olhos dizem doçura,
um mel mais do que doce,
... e mais perfumado.
A poesia que brilha em teus olhos
tem luzes intensas,
é alegria espargindo sorrisos,
... coloridamente felizes.
Teus olhos encantam,
teus olhos seduzem,
teus olhos fascinam.
São dádivas do Amor!
Linda a poesia de Dóris,
Linda!
Muito de poesia:
beleza de juventude,
ritmo de meninice,
colorido de alegria.
Mil cores.
Confidência de Primavera,
Dóris deixa fluir e fluir-se
sem segredo algum.
O verso é cristal:
jorra e seduz, jorra sincero,
limpo e transparente.
Agradável sempre!
Dóris canta o canto,
não importa se o dia é dia
ou se a noite chega,
porque poesia tem cheiro-criança
e brilho de floresta mágica.
Toda criatura é de Deus,
realidade sempre.
A música é livre
e o verso não é ilusão.
No infinito olhar de Dóris,
o além permite caminho
E o amanhã será sempre lindo.
Preciso é dourar a esperança,
preciso é viver e amar,
dispensando a visão de enfeites.
¿Felicidade é pés na enxurrada,
tamancos na mão,
alma ensopada
pingando paixão¿.
Mais do que isso,
só banho em águas de fadas,
ou dança com duendes
de múltiplas madrugadas.
Precisa mais?
Longas serras, cactos, distância,
cor de palha, quase cinza,
lonjuras de tons de verde,
tudo escaldante, infinito pó.
Terra e natureza mortas,
vegetal morto, morto o animal.
Em primeiro plano,
quase dentro de quem olha,
a seca é de ano inteiro,
perspectiva com ausência de vida,
em close, somente o sol.
Pouquíssimas presenças,
algo que é, sem nunca ter sido¿
Isso mesmo! Quem não tem saudades do circo?
Quem não guarda, lá dentro,
no mais profundo da alma,
uma saudade menina
da primeira alegria no circo?
Quem não se lembra do primeiro velho palhaço,
roupas coloridas, frouxonas, cheias de longos babados,
espicha-encolhe, querendo cair toda hora?
Quem não se recorda do palhaço mais novo
fazendo negaças, pisca-piscando,
equilibrando como um joão-bobo,
piruetando em volta de si mesmo,
triste e alegre ao mesmo tempo?
Quem não conserva a visão das moças bonitas,
dos meninos e rapagões bem alimentados,
do forte e grisalho dono do circo,
de um domador vestido de preto lamê,
todos a sustentarem com força o equilíbrio do mundo?
Quem não se lembra?
Todos nós temos um universo de lembranças
de um novo ou de um velho circo,
dependendo de onde nasceu
e de onde viveu os primeiros anos de vida,
em cidade pequena o cidade grande.
Em nossas lembranças haverá sempre um circo.
circo pobrezinho de chão de poeira,
de lona furada, sem cores,
de leões já velhos, sem dentes,
de bicicletinhas para equilíbrio,
ou então de uma visão de brilho,
de rico luxo, de madrepérolas,
Com mágicos importantes a criar
mil fantasias de coelhos e bandeiras,
Como eram lindas as moças vendendo saúde,
os meninos louros voando em trapézios,
tudo mais que um sonho acordado!
Sempre guardaremos a lírica de boas lembranças,
a saudade gostosa do primeiro encontro com o circo,
jamais desfeita de nossa memória e de nosso coração¿
Nada há mais delicioso que o primeiro espetáculo de circo¿
Nada mais!...
Há pouco tempo, em Mirabela,
fui a um circo pobrezinho,
lona quase caindo aos pedaços,
um chão poeirento de fazer dó,
arquibancadas mais velhas que o vendedor de ingresso.
A trapezista e o equilibrista, coitados,
a gente não sabia se admirava ou tinha pena...
Parecia até a história do circo do Adauto Freire,
estória de um circo que acabou em Bocaiúva,
que ele contava com muita graça !
O circo, um acontecimento adorável,
quanta saudade renova na gente!
O que estava, em Mirabela, também era um circo!
Era um circo¿ E tinha palhaço!
E um palhaço, velho ou novo,
mesmo descalço como o daquele pobre circo,
em maravilhosos trejeitos,
representa um mundo de fantasias,
é acridoce poesia de sofrimento,
redesenho e halo de ilusão¿
Um palhaço, sabendo ganhar
e com esportiva sabendo perder,
é o que mais representa o circo,
um pouco de tudo que deveríamos ser,
para nunca deixarmos de ser felizes...
Entre a terra e o céu,
gosto de quase tudo:
das flores, da brisa, da luz,
principalmente de um verde-floresta
ou de um barulhinho de aguas
em tempo-descanso.
Gosto de tudo que ainda é criança
em albores do amanhecer,
sem vícios, sem manchas,
luzindo promessas de amor.
Mas, acima de tudo,
de mais do que tudo,
é de ti, minha querida,
o meu gostar,
o meu viver!
Em mil sonhos
teus olhos e teu olhar
marcarão presenças
com um intensamente sim
em dádivas de muita luz.
Mil e um sonhos,
e coloridas luminescências
iluminarão dádivas do ser
e do não-ser.
És doce encanto.
És mais, és tudo!
Aqui a beleza é mágica,
transparências de amor.
Eterno hoje,
eternamente sempre!
Felicidade não tem peso,
nem tem medida,
não pode ser comprada,
não se empresta, não se toma emprestada,
não resiste a cálculos, porque não material,
nos padrões materiais do nosso mundo.
Só pode ser legítima.
Felicidade falsa não é felicidade, é ilusão.
Mas, se eu soubesse fazer contas na medida do bem,
diria que a felicidade pode ter tamanho,
pode ser grande, pequena,
cabendo nas conchas da mão,
ou ser do tamanhão do mundo.
Felicidade é sabedoria, esperança,
vontade de ir, vontade de ficar,
presente, passado, futuro.
Felicidade é confiança:
fé e crença,
trabalho e ação.
Não se pode ter pressa de ser feliz,
porque a felicidade vem devagarinho,
como quem não quer nada.
Ser feliz não depende de dinheiro,
não depende de saúde,
nem de poder.
Felicidade não é fruto da ostentação,
nem do luxo.
Felicidade é desprendimento,
não é ambição.
Só é feliz quem sabe suportar, perder,
sofrer e perdoar.
Só é feliz quem sabe, sobretudo, amar!